Rock in Rio na TV provoca "binge watching" de shows há 34 anos

                                                                                 
Freddie Mercury, na lendária apresentação do Queen em 1985

O Rock in Rio que começa hoje e vai até domingo, e depois de 3 a 6 de outubro, acontece 34 anos após a edição inicial daquele que foi o primeiro grande festival internacional de rock no País. Colocou o Brasil de vez no circuito dos megaconcertos. No longínquo ano de 1985, o festival foi viabilizado com o patrocínio principal de uma nova marca que chegava ao mercado e que nem existe mais: a Malt 90. Aquela cerveja acabou, hoje outras marcas patrocinam, e o festival resiste. Com algum rock mas também muito pop e até rap.

A primeira edição do Rock in Rio contou com uma multidão de 1,5 milhão de pagantes ao longo de dez dias num imenso terreno na zona Oeste da capital fluminense. O evento proporcionou a vinda de tantos astros internacionais jamais trazidos para um mesmo palco por aqui como Queen, Yes, AC/DC, Nina Hagen, ao lado de expoentes do cenário roqueiro nacional. Iron Maiden, Scorpions e Whitesnake, que estiveram na primeira edição do festival, estarão novamente no palco este ano. 

A estratégia de lançamento da Malt 90 significou o que se chama hoje uma plataforma integrada de comunicação para o lançamento de um produto. A ação inédita incluía, além da multidão presente naquela chamada Cidade do Rock, a transmissão do evento pela TV, com a exposição da marca da cerveja para a massa. E a emissora escolhida à época foi a TV Globo, que investiu em equipamentos até então inexistentes por aqui para captação, edição e transmissão dos shows. Foi a primeira maratona de shows de rock na TV aberta - o que hoje se pratica nos serviços de streaming com as séries, o chamado "binge watching". A Globo continua na parada, com extensão da cobertura para seus negócios na TV por assinatura, com os canais da Globosat Multishow e Bis.

A última maratona televisiva de shows locais de rock aconteceu em abril último, com as transmissões do Lollapalooza pelos canais da Globosat, direto do Autodromo de Interlagos, em São Paulo. Nem sempre a televisão consegue transmitir megashows. Em 2013 houve um esperado concerto da banda Black Sabbath em São Paulo, em show para 90 mil pessoas no Campo de Marte, mas sem acordo para transmissão na televisão. Outras vezes, questões de contrato interferem na própria exibição.

No Rock in Rio 2013, um dos artistas - Anthony Kiedis, vocalista do Red Hot Chili Peppers - entrou no palco com uma camiseta que ostentava um concorrente de um dos patrocinadores, e a TV foi obrigada a exibir o tempo todo o seu carão em close, para não enquadrar a logomarca da Brahma em evento que tinha publicidade da Heineken. 

Num lance de esperteza, também em 2013, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, bebeu e divulgou a marca de cerveja do grupo no palco, aproveitando para criticar o gosto daquela oficial do evento. Em 2014, Paul McCartney cantou na inauguração do novo estádio do Palmeiras, com TV e algum delay na transmissão , mas a produção simplesmente mandou cortar o sinal bem no meio de uma música: havia se esgotado o tempo contratado. 

É interessante que este caminho pavimentado pelo Rock in Rio há 34 anos siga aberto. Que as TVs negociem junto a produtores e empresários os shows para um público sempre maior, vendendo patrocínios, ajudando a máquina a girar e possibilitando a vinda dos grandes nomes e também de novas bandas para cá. Afinal, os custos das turnês seguem galopantes e é difícil para o público assimilar ingressos ainda mais caros.

Megaevento de experiência

Realizado desta vez no mesmo local que abrigou o megaevento que foi a Olimpíada do Rio 2016, o Rock in Rio amplia sua vocação de proporcionar experiências múltiplas aos fãs de música. No ano passado, o mentor e chefe da história toda, o empresário Roberto Medina, anunciou que a intenção era criar no local dos Jogos Olímpicos o projeto Zytrons, um evento que unisse parque temático de ficção científica e shows, com palco em formato de pirâmide e até pista de neve. 

Ainda não foi desta vez que surgiu um novo festival. Mas o Rock in Rio desse ano contará na sua chamada Cidade do Rock, além dos palcos abertos das principais atrações e headliners, com muitos ambientes fechados propícios para essas experiências multimídia. Marcas e patrocinadoroes encamparam a ideia e estão nestes vários espaços. Outra ideia apresentada foi o espaço "Favela", uma forma de aproximar o evento da realidade da cidade que o sedia. 


Maratona na TV

                                            Crédito: Globo/Victor Pollak
                      Nyvi Estephan comanda a transmissão na Globo

Para quem não vai ao vivo, como eu, o jeito é assitir pela TV, fazer maratona dos shows, trocar o "binge watching" das séries pelos shows direto e ao vivo. Com a bebida e comida que eu quiser na mão. Já li que um combo de três esfihas do Habib's no evento vai sair por R$ 20,00 - sendo que nas lojas chega a haver promoções de R$ 0,99 cada, numa comparação inadequada. Quem frequenta shows, estádios e demais eventos sabe que a comida e bebida são inflacionadas mesmo, por motivos quase nunca ligados às atrações mas sim à infraestrutura e serviços terceirizados de cada local.

Só vamos descontar o fato de que os apresentadores destes eventos nos canais de TV tratam a audiência como se fôssemos todos adolescentes. Parece haver uma máxima em vigência nas TVs de que o público hoje é essencialmente formado por millenials, e a linguagem parece que se destina somente a eles. 

A Globo estará com a hostess NyviEstephan, que em 2017 apresentou a Game XP, evento de games realizado simultaneamente ao festival de música. Na quinta e às sextas, os shows serão exibidos depois do ‘Conversa com Bial’. Aos sábados, a transmissão começa após o ‘Altas Horas’ e, aos domingos, depois de ‘Domingo Maior’. A transmissão ‘Rock in Rio’ na Globo tem direção artística de LP Simonetti e direção geral de Mario Meirelles.

O Multishow, com um estúdio de vidro na frente do Palco Mundo , vai transmitir em tempo real os shows dos Palcos Mundo e Sunset. O Canal Bis acompanha as atrações do New Dance Order, área dedicada à música eletrônica, além de mostrar diversos espaços da Cidade do Rock, como a Arena Games, Espaço Favela, Rota 85 e Rock Street Asia. Ambos os canais terão 26 apresentadores em toda esta maratona de shows.




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