Drama ruim também pode ser bom



Último capítulo da novela  "Em Família": mais legal de ser visto junto às redes sociais



Acabou “Em Família’, não sem um certo alívio. Afinal, a trama não envolveu ao longo dos seus menos de seis meses no ar, houve falhas gritantes na escalação de elenco (pais e parentes vividos por atores de idades improváveis), faltaram ganchos nos finais de cada capítulo, diálogos modorrentos e mais um tanto de fatores que tantos críticos de novela já despejaram na imprensa e na internet. Nem mesmo um inédito casamento e beijaço entre mulheres causou furor. Mas foi muito melhor acompanhar o capítulo final simultaneamente às redes sociais. No Twitter, então, a segunda tela estava fervendo. A Globo divulgava a reunião dos artistas para verem o capítulo derradeiro.


E os twitteiros não perdoavam. No discurso final da personagem de Natália do Valle, por exemplo, reproduziu o @Walkenes Lagares: "Sou 1 pessoa mto abençoada, meu namorado fez pouso forçado, meu genro foi enterrado vivo, o marido da minha neta morreu na igreja". Ninguém perdoa.


O jornalista Diego Escotesguy cravou ali: “O brasileiro não sabe mais jogar bola - nem fazer novela”. Ou seja,  perdemos no futebol e já não temos mais novelas boas. Acho que não é bem assim. Tanto pra uma como para outra situação, nem tudo está perdido; há remédio possível, bastando num caso uma reformulação de práticas e métodos, e no segundo, a abertura para novos autores, menos amarrados ao sucesso que os consagrou no passado. No caso de Manoel Carlos, criticar seu último trabalho não desmerece seus textos anteriores, em especial aqueles dos anos 90 que tanto falavam de uma certa classe média do Leblon Bossa-Nova, aspiração dos emergentes. Mas é claro que ele se prende ao estilo que o consagrou e que no atual contexto tem um apelo tão menor. O próprio praticamente jogou a culpa no público, em entrevista à jornalista Cristina Padiglione, no Estadão  http://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,para-manoel-carlos-o-dialogo-perdeu-espaco-na-tv,1528170

De qualquer modo, continuo achando que - mal citando Woody Allen - capítulo final de novela do horário nobre é como pizza fria e fazer sexo: mesmo quando é ruim, tá bom. Foi, sim, um episódio capenga, com uma assassina inverossímil e desimportante para o protagonista, que saiu de cena de forma patética, com cenas sem empatia dramática. Ainda, ficaram dúvidas não sanadas (afinal, a Juliana matou ou não a mãe da garota que quis adotar?). 

Mas o capítulo cravou em prévia 35 pontos no Ibope da Grande São Paulo – cada ponto corresponde a 64 mil domicílios ligados na trama. A imprensa imediatamente repercutiu como sendo a pior média de último capítulo da história das novelas das 21h. Pode ser.  Mas que programa obtém isso em outra rede? A Globo no horário aferiu o triplo da audiência do total das três outras grandes redes (Record, SBT e Band) somadas. E isso nem de longe mostra queda do gênero, ou que a televisão esteja em queda vertiginosa diante de outras mídias. Ainda não.

E, não menos importante: como bem lembrou a repórter Bárbara Sacchitiello (http://www.meioemensagem.com.br/home/meio_e_mensagem/blog_redacao/2014/07/Sai-a-Fam-lia-fica-o-esmalte.html), basta dar uma olhada no sucesso do esmalte da Giovanna Antonelli, que foi estrondoso.





De fato, a atriz que vivia Clara vendeu nada menos do que 3 milhões de frascos de esmaltes de sua marca. Ao longo destes meses, era impossível achar nas lojas e nas manicures o tal colorido para as unhas. Era chegar e vinha a resposta: “Tem, mas acabou”. Uma loucura. Os concorrentes foram a campo, tratando de produzir cartela semelhante. E Giovanna não precisou investir nem em propaganda. Bastava mostrar a mão em cena e sua marca pululava a mídia espontânea nas redes sociais e blogs. Isso, numa novela fraca. Imagina se tivesse sido boa?
Por sorte, na sequência, após o final da novela e depois do "Globo Repórter", veio mais um episódio primoroso de "O Rebu".

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