Big Brother avança no tempo e espaço


"Mas como assim, vc uma jornalista, pessoa esclarecida, que lê tanto e viaja muito, que estudou tanto nesta vida, vai gostar de Big Brother?"
Cansei de ouvir de pessoas próximas esta frase, que tem em si, claro, uma crítica embutida à minha própria pessoa!
Ora, não há qualquer problema de ordem intelectual ou filosófica em acompanhar o gosto da audiência. E não acho, de forma alguma, que a unanimidade seja burra - e nem me sinto menos inteligente por acompanhar as intrigas do povo confinado...
Sou direta: quando se busca entretenimento puro e simples, a TV é campo aberto. No caso específico desta produção de origem holandesa, o Brasil é onde o formato mais se perpetua, onde continua a ter sucesso e onde a matriz não cansa de ganhar dinheiro. Tanto que constituiu sociedade com a Globo - único lugar no mundo onde isso acontece; nos demais países, a Endemol apenas licencia o formato. Por aqui, a Globo quem diria, achou que fazia um grande negócio ao amarrar a produtora numa joint-venture, para não correr o risco de perder o programa para a concorrência. Se soubesse que teria de dividir o faturamento milionário do programa com a gringolândia, talvez voltasse dez anos atrás para simplesmente pagar US$ 300 mil por cada edição!
Mas não vou aqui chorar as perdas da Globo. O fato e que o programa é lucrativo, e dá audiência. Desde os últimos anos, tem sido também um campeão de merchandising e não ouço nenhum anunciante reclamar dos resultados de sua exposição ao longo dos três meses da atração.
O fato é que esse BBB10 não cansa e até começou melhor que os outros. E o segredo é simples: escolha do elenco. Sim, porque o casting do BBB é a chave do seu sucesso. Não é à toa que os produtores levam tantos meses em busca dos candidatos ideiais a brothers e sisters, vendo centenas de milhares de vídeos de aspirantes ao estrelato.
Em tempos de falta de criatividade local para roteiros de ficção - vide a lenga-lenga da novela das 21h do Manoel Carlos, que não anda nem sai do lugar! - os melhores scripts são sem dúvida os da vida real. Pessoas com histórias interessantes de vida são personagens dos mais atraentes para a atração. O programa, desta vez, acertou em cheio na escolha de seus protagonistas. O núcleo dos coloridos na foto, Vai Serginho!!!!!), com três participantes declaradamente homossexuais, é um dos mais bacanas que já se formou na história do programa. Trouxe à casa frescor, novidade, e é um prato cheio de diálogos interessantes e intrigas das mais curiosas para o BBB. Os demais integrantes da trupe atrás de R$ 1,5 milhão foram escolhidos a dedo... é possível identificar cada personalidade antagônica em relaçao a alguma outra lá de dentro. Além disso, a edição do programa continua ágil, a direção do Boninho é precisa e criativa e - certamente por influência de A Fazenda - melhorou em muito seu ritmo e programação musical. Vou acompanhar o tanto quanto consiga; afinal, o ano já começou e pra valer!

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