A vida que se vê e a vida que se leva



Manoel Carlos tem feito novelas memoráveis, com bons diálogos, personagens bem construídos, muito Rio de Janeiro, e sempre com alguma Helena embora sofredora, também marcante .Uma fórmula que deu muito certo ao longo dos anos 90, e que vinha se resolvendo até há pouco.
Digo até há pouco. Passada a primeira década deste século 21, a vida que se pretende que seja vivida na novela não se passa mais neste ritmo bossa nova. Tudo é lento na ação, nas conversas, nos diálogos. Assisto a cada capítulo com um leve temor de que o desenlace de cada cena sempre dure o exato tempo dos passos de cada personagem leva para ir de uma sala à outra. Devagar, quase parando, com frases insossas nas conversas. Médicos que ficam de conversinha inútil na sala do hospital, personagens de falas vazias que nada acrescentam ao desenrolar da história.
A trama em si parece que começou agora, a partir do desastre que tornou Luciana (Alice Moraes) paralisada num leito de hospital.
Há, claro, grandes momentos na história - e são sempre justificados pela qualidade do quadro de atores. A grande interpretação de Lília Cabral, que rouba cada cena que protagoniza; a excelência técnica na edição dos gêmeos num mesmo quadro - vividos pelo ótimo Mateus Solano, que já dera o ar da graça em "Maysa". Bárbara Paz também dá vida a uma personagem pronta para cair na antipatia do público. Claro, Aline Moraes, que já provou que é uma das melhores desta nova geração. E o que é aquela garotinha que perfaz a intrépida Rafaela, filha da Dora (de Giovanna Antonelli)? Dá um banho em parte do corpo de atores de toda a televisão. Pena que Taís Araújo, a despeito de toda a torcida no seu primeiro papel principal de novela das 9, não tem dado conta do recado. Ao personificar a sofredora, mal comove nem convence, tem rosto de uma única expressão para todas as situações. Quando sofre, é salva pelas lágrimas cênicas. E quando está alegre, parece que no próximo quadro vai dar uma dica de "Superbonita" (programa que ela apresentava no GNT antes de entrar na novela). O José Mayer... bem, não podemos culpá-lo pela falta de galãs maduros para novelas. Ou é ele, ou é Tony Ramos...
Mas que não se jogue os atores num mar de roteiros ruins bem dirigidos e com cenografia de primeira. Vejo na ficha técnica que o autor conta com um tanto de colaboradores na sua escrita. Que bote todos a trabalhar. Ponha-os a verem um pouco dos seriados da TV paga. A fórmula está na própria vida do título. Busquem as frases que correm rapidamente na boca do mundo e não as que se esperam no cais, vindas num mar sem ondas. Ok, há que se segurar a audiência, serão mais de 150 capítulos, seis meses de história. Mas que se criem enredos que dêem expectativa em uma semana, e não que apenas se resolvam no próximo outono. A novela das sete tem feito isto de forma agradável. Eu adoro novela, mas por favor, Manoel Carlos: me ajude a assitir!

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