Virada Educacional


A Virada Cultural de São Paulo, 24 horas de programação cultural ininterrupta no final de semana de 2 e 3 de maio,certamente foi um sucesso de público. Eu mesma estive presente por 12 horas e sem dúvidas trombei com uns 2 milhões de pessoas, no centrão de São Paulo ao longo deste período, desde o início da noite de sábado e majoritariamente na madrugada até a manhã de domingo. Deparei-me com 1 milhão na ida e outro na volta - pena que sempre parecia que eu estava na contramão.
Vi um pouco de tudo, desde a iluminação em chamas colocadas por franceses no parque da Luz (esta foto com o lindo relógio da Luz ao fundo - nosso Big Ben - é de autoria da Lena Castellón) até a Pça da República, passei pelo palco onde eram feitas as homenagens a Raul Seixas - com áudio de péssima qualidade, registre-se; os palcos de dança, black music e bandas alternativas.
Na Pça da República, encarei a maior multidão para lembrar os anos 80 e Marcelo Nova com seu Camisa de Vênus. Que show! Que tumulto! E quanta gente pendurada nas árvores!Bete Morreu! Ô Silvia, Piranha! e Eu não Matei Joana Darc foram as mais cantadas! Mas que tumulto pra chegar e sair dali...
E quanta sujeira, nas ruas de lindos prédios do centro velho de Sampa...Estava muito frio, e todos bebiam demais, garrafas de vidro amedrontadoras em profusão vindas dos vendedores ambulantes com biritas suspeitas eram vendidas a rodo a gangues de rapazes sem camisa que bradavam sua valentia a todos os ventos frios que ali sopravam.
A pista dos Djs era grande e chamativa, mas muito, muito mal localizada na estreiteza da rua 15 de Novembro. Houve um mau dimensionamento de público, afinal, a demanda dos jovens por música eletrônica é muito maior do que a plateia rala que estava no Vale do Anhangabaú para ver balé e outras apresentações minimalistas. Era matar ou morrer se quisesse ver de mais perto o DJ mau Mau ou Renato Lopes... ali não dava pra ficar, que pena! A outra pista, com Djs residentes de casas noturnas, em frente ao Pateo do Colégio (ali, onde tudo começou com o Pe. Anchieta) parecia uma tendinha, mas era muito, muito mais fácil de curtir!
Vi ainda o palco de samba-rock, o palco brega, Chico César... Mas nada se comparou à emoção de ver e ouvir o Violeta de Outono, às 6h da manhã, no Teatro Municipal. Um nervoso porém impecável Fabio Golfetti e os demais integrantes originais (exceto o baixista) me fizeram voltar àquela doce primeira metade dos anos 80, onde tudo parecia possível... Executaram ao vivo todo o primeiro disco da banda. Foi uma manhã de sonho - só com seu encanto quebrado pela completa falta de educação de uma plateia que não soube dar o devido respeito aos artistas ali presentes e à suntuosidade do Municipal - por certo, um teatro onde nunca puderam ir e dificilmente deverão retornar: gritavam das galerias como se estivessem num campo de futebol, mexiam com as moças da plateía, pediam musicas e artistas que não estavam ali, atrapalhavam a concentração dos músicos. Como oferecer cultura a uma população que não tem sequer educação?

Postar um comentário

0 Comentários