Vicky Cristina Barcelona


Assistir ao último Woody Allen é uma experiência um tanto incômoda, mais para eles do que para elas. Mais do que o ménage à trois que o próprio título já sugere, a película revela-se, sim, uma viagem conservadora do diretor, que começa bem, com o melhor de sua veia cômica carregada de ironias. Mas ao longo da trama, que é uma história de um único verão, Vicky Cristina Barcelona mostra-se uma crítica à rebeldia de costumes.
O filme faz homenagem visual à Barcelona de Gaudí, mostrando enorme boa vontade com seus pontos mais turísticos. Há boa vontade também com o latin lover Javier Bardem, irresistivelmente charmoso no seu papel de artista mulherengo, mas dependente do talento da amada - ninguém menos que uma artista doida vivida pela magnífica Penélope Cruz, em grande desempenho de coadjuvante que rouba a cena. O filme é mais dela do que das americanas Scarlett Johansson e Patricia Clarkson, por mais que Allen seja encantando pela primeira e condecendente com o alto padrão norte-americano da segunda. Com final indisfarçavelmente moralista, fiquei achando que Allen já resolveu melhor seus dilemas!

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